a casa natal, mais que um protótipo de casa, é um corpo de sonhos.

cada um desses redutos foi um abrigo de sonho. e o abrigo muitas vezes particularizou o sonho.

nela aprendemos hábitos de devaneio particular...

existe para cada um de nos uma casa onírica, uma casa de lembrança-sonho...”

Gaston Bachelard - Poética do Espaço



Quando Pássaros Por aqui...

Quando Pássaros Por Aqui é um abrigo de sonhos.
Apresento registros que compõem uma linguagem plástica,
um jeito de ser, uma forma de pensar, em construção...

Aos seis anos de idade eu tinha uma caixa cheia de recortes,
escolhidos com empatia absoluta.
Garimpava-os nas revistas e nos livros.
Essa caixa estava sempre comigo e ali dentro eu criava um mundo
amplo, macio, infinito, romântico, misterioso, surreal...

As imagens entravam em outras,
gerando novas paisagens e, ali no espaço criado,
sentia-me menos estranha, mais livre...

Fui crescendo e minha linguagem modificava-se, sendo a mesma...
Apropriações e releituras de signos e ícones, da historia da arte
e de domínio público, foram compondo a minha manifestação,
Leonardo da Vinci, Gauguin, Picasso, Monet, Chagal,
Van Gogh, Matisse, Magritte e tantos outros queridos
fazem parte da minha iconografia, moram no meu imaginário...

Aliando fragmentos de outdoor, achados do cotidiano, pedras,
penas, tules, folhas, fitas, texturas urbanas, tinta, lixa, caixas,
gavetas, portas, abre, fecha, guarda...
Relicários da memória foram, de maneira experimental,
transformando-se, ganhando corpo, virando objeto: objeto arte.

Espaço Atelier - Monica Nunes






Sobre um nome não dado III


Exposição Sobre um nome não dado, fronteiras devidas III
2013 - Espaço Amarelo - São Paulo - SP

Livraria Cultura - Vitrine




Junho /2013 - São Paulo


série - Quando pássaros por aqui e seus armários....
colagem - 0.20 x 0.30m



Armarios recortados, detalhes de um processo.....



colagem sobre MDF, técnica experimental mista
Armário de Idéias, série "Musas".


O INFANTE



Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Fragmento do poema Mar Português, Fernando Pessoa.


Colagem: Monica Nunes
Fragmento da obra "Jovens Taitianas com flor de manga", Paul Guaguin.

O meu olhar é nitido como um girassol


Colagem: Monica Nunes

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

FERNANDO PESSOA
Alberto Caeiro


Colagem: Monica Nunes - "Perplexidade, serie: Ludicidades"
Fragmento da obra "Harlequin", Pablo Picasso.

O Que a Mulher Realmente Quer ?

Trago uma historia relacionada ao Rei Arthur,
de maneira geral esses contos trazem a nobreza
e a cavalaria mas este em questão trata do feminino
"O que a mulher realmente quer ?"

Numa viagem a trabalho tive a oportunidade de contar
essa história para um grupo grande de mulheres da
cidade de Rosana, divisa com Mato Grosso, que
estavam se organizando para fundar um cooperativa,
“As Rosas de Rosana” e a experiência foi surpreendente....


O Rei Arthur, em sua juventude, foi pego caçando em propriedade alheia, nas florestas de um reino vizinho e foi apanhado pelo rei. Ele poderia muito bem tê-lo matado imediatamente, pois era essa a punição por transgredir as leis de bens e propriedades. Mas o rei vizinho se sentiu tocado pela juventude e pelo caráter cativante de Arthur. Ele ofereceu liberdade a Arthur se conseguisse encontrar a resposta a uma pergunta muito difícil, em um ano. A pergunta: “O que a mulher realmente quer?”

Isso desconcertaria o mais sábio dos homens e pareceu intransponível para o jovem. Era melhor que ser enforcado e, assim, Arthur voltou para casa e começou a perguntar isso a todos com quem se encontrava.

Rameira e freira, princesa e rainha, sábio e bobo da corte - perguntou a todos, mas ninguém conseguiu oferecer uma resposta convincente. Cada um deles, entretanto, advertiu-o de que existia alguém que saberia: a velha bruxa. O custo seria alto, pois era proverbial no reino que a velha bruxa cobrava por seus serviços preços que arruinaria qualquer um.

Chegou o último dia do ano e Arthur finalmente foi levado a consultar a velha megera. Ela concordou em fornecer uma resposta, que iría satisfazer o rei acusador, mas era necessário discutir antes o preço.

O preço? Casamento da velha bruxa com Gawain, o mais nobre cavaleiro da Távola Redonda e o amigo de infância mais íntimo de Arthur. Arthur olhou a velha bruxa com horror; ela era feia, tinha um único dente, exalava um odor que faria uma cabra adoecer, emitia sons obscenos e era corcunda. Nunca houve uma visão mais repugnante!

Arthur intimidou-se com a perspectiva de pedir que seu amigo de infância assumisse esse terrível fardo por ele. Mas Gawain, quando soube da barganha, julgou que isso não era muito para dar a seu companheiro e para preservar a Távola Redonda.

O casamento foi anunciado e a velha megera ofereceu sua infernal sabedoria: O que a mulher realmente quer? Quer soberania sobre sua própria vida.

Todos souberam, no instante em que ouviram isso, que a grande sabedoria feminina tinha sido enunciada e que Arthur estaria salvo. O rei acusador de fato deu a Arthur a sua liberdade quando ouviu a resposta.

Mas o casamento! Toda a corte estava lá, e ninguém mais dividido entre o alívio e a angústia que o próprio Arthur. Gawain foi cortês, gentil e respeitoso; a velha bruxa externou seus piores modos, devorou a comida de seu prato sem ajuda dos talheres, produziu barulhos e odores hediondos. Nunca antes a corte de Arthur tinha se sujeitado a tal constrangimento. Mas prevaleceu a cortesia e o casamento se realizou.

O casamento poderia ter sido pior, de acordo com o conto, e nós deveríamos descer a cortina de circunstâncias sobre as condutas, exceto por um único e maravilhoso momento. Quando Gawain estava preparado para o leito nupcial e esperava que sua noiva se reunisse a ele, ela surgiu como a mais adorável donzela que um homem poderia desejar ver!

Gawain, assombrado, perguntou o que tinha acontecido. A donzela replicou que porque Gawain tinha sido cortês com ela, ela mostraria a ele seu lado hediondo metade do tempo e seu lado gracioso na outra metade do tempo. Qual dos dois ele escolhia para o dia e qual para a noite?

Essa é uma questão cruel a se colocar para um homem e Gawain fez um rápido cálculo. Ele queria uma adorável donzela para exibir durante o dia, para que todos os seus amigos pudessem ver e uma megera hedionda à noite, na privacidade de seu quarto; ou queria uma megera hedionda durante o dia e uma adorável donzela nos momentos íntimos de sua vida?

Homem nobre que era, Gawain replicou que deixaria a donzela escolher. Ao que ela anunciou que seria uma agradável donzela para ele tanto de dia quanto à noite, já que ele a tinha respeitado e dado soberania sobre sua própria vida.

Trecho do livro: Mistérios do Feminino - Sonia Milano



colagem, Monica Nunes
Gosto de conhecer, admirar,
linguagens iconográficas... de como
determinadas egrégoras religiosas
se manifestam e demonstram o seu
caminho para o sagrado e tudo,
o que isso contém..
A história, o tempo histórico, os santos,
a roupa dos santos,os símbolos relacionados
são para mim, motivadores de estudo.
Zeus, Jesus, Siddharta, Krishna, Ghandi, Yogananda,
Gaia, Maria, Iemanjá, Madalena, Joana Dar'c e mais
uma constelação,poderia ser citada.
O inconsciente coletivo predominante
nesta semana é também, a semana santa, a Paixão
de Cristo e o que isso representa.
Ofereço um mantra,que é outra linguagem de
conexão para a mesma fonte e uma música
devocional...








colagem, fragmento de papel de out door, Monica Nunes.
Hoje uma pausa nas Ludicidades....
trago uma música, Beatles.



Continuo apresentando a serie Ludicidades
é um jeito de interagir com o espaço urbano
da cidade onde vivo...
O ir e vir de muitas pessoas, pensamentos,
dramas e superações acontecem a cada minuto.
Gosto de caminhar pelas avenidas sentindo
a massa que de alguma maneira faço parte...




serie: Ludicidades
colagens: Monica Nunes

Boa semana a todos os pássaros por aqui...








serie: Ludicidades
colagens: Monica Nunes

Ludicidade

colagem sobre cartão postal da cidade de São Paulo.

Ofereço uma música, apesar de tudo,
ouço esta canção e a minha alma
dança...pela casa...
Um bom dia atemporal pra todos!





colagem: Monica Nunes
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